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PetSite:
O que representa ser eleito
veterinário do ano pela Sociedade Nacional de Agricultura?
Dr.
Borges: Até onde temos notícia, esta é a primeira vez que
um médico veterinário recebe este título. Acreditamos que
esta distinção tenha sido dada pelo trabalho que a diretoria
do CRMV/RJ desenvolve na sua principal atividade, que é a
fiscalização do exercício profissional do médico
veterinário e do zootecnista. Este título veio num momento em
que o Conselho está consolidando cada vez mais as suas atitudes
e seus posicionamentos em prol de uma sociedade melhor.
PetSite:
Como você vê a posição do médico
veterinário na sociedade?
Dr.
Borges: O perfil do médico veterinário, até vinte anos
atrás, era de um veterinário do interior. Buscava-se naquela
época o profissional voltado para atuar nas fazendas. De dez
anos para cá, o perfil mudou. Passou a ser mais urbano, as
atividades voltaram-se mais para a clínica de pequenos animais
e de animais selvagens. Isso também fez com que surgisse um
maior número de mulheres na profissão. Hoje elas aparecem mais
em cargos de direção, proprietárias de clínicas
veterinárias etc. É claro que isso aconteceu nas outras
profissões, mas na medicina veterinária isso fez com que o
perfil do profissional mudasse também.
O profissional médico
veterinário hoje busca participar mais de vários segmentos na
sociedade, até mesmo em cargos políticos. A participação do
profissional tem sido mais forte, e com isso vai se mostrando
que o Conselho não pode ser um órgão fechado, que ele tem de
se abrir, e assim se desmistifica uma série de situações como
"Os conselhos e as entidades só servem para cobrar do
profissional, não oferecem nada." E hoje acontece
justamente o contrário: nós oferecemos um programa de
educação continuada, um jornal informativo de nível, temos
uma comunicação forte junto aos profissionais, trabalhamos com
marketing profissional. Os conselhos de classe sempre foram
vistos como órgãos cartoriais, fechados. Esta foi uma
diferenciação que nós, do CRMV/RJ, fizemos questão de
buscar, com um órgão mais aberto, participativo, voltado
sempre para prestar esclarecimentos sobre as atividades
profissionais, mostrando para que nós servimos e o que podemos
fazer para fazer uma sociedade melhor.
PetSite:
Você acha que esta mudança no perfil
profissional veio aproximar mais o médico veterinário da
família?
Dr.
Borges: Não acho que a virada do profissional rural para o meio
urbano tenha mudado o profissional no sentido da família. Acho
que isso é uma própria característica do meio urbano. Os
animais de estimação crescem cada vez mais no meio das
populações das grandes capitais, onde as habitações são
edifícios muitas vezes populosos. Assim, o nível de exigência
para se criar esses animais torna-se maior, e o médico
veterinário acaba se aproximando ainda mais do convívio com as
pessoas. Mas elas ainda não se conscientizaram para o nível de
coisas que tem de ser observado. Por exemplo, você viu aí o
problema da lei do Pit Bull, em que nos tivemos de intervir,
porque as pessoas são desinformadas e esta desinformação
causa prejuízos a criadores de outras raças porque o animal de
companhia hoje, a cada dia que passa, cresce muito mais. Então
esta aproximação acontece porque fazemos parte de um sistema
de sociedade em que as pessoas ficam cada vez mais sozinhas,
isoladas e buscam no animal de estimação o seu companheiro.
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PetSite:
O que você acha da qualidade do
profissional que está entrando no mercado hoje?
Dr.
Borges: O Conselho tem o seguinte posicionamento: hoje temos
escolas demais e qualidade de menos. Mas não podemos confirmar
que o ensino do terceiro grau hoje está fraco em detrimento ao
que era no passado. Nosso posicionamento é pelo ensino de
qualidade. O Conselho tem uma preocupação: exercer a
fiscalização do ensino da veterinária. Criamos uma comissão
de ensino que visa visitar as escolas e, através de
questionários e visitas técnicas, levantar subsídios para a
comissão de ensino do Conselho Federal de Medicina Veterinária
(CFMV) para que se tomem posições a nível nacional em
relação a isso. Sabemos que o número de faculdades é
excessivo, porque nunca se faz um levantamento da possibilidade
de emprego para ele. Você oferece vagas e não diz ao estudante
que o mercado de trabalho é seletivo, está recessivo, é
altamente competitivo. Ele só vê pelo lado de que ele vai ser
o "médico dos cachorrinhos", ou dos gatos, que isso
vai ser uma coisa boa e que o veterinário ganha muito dinheiro.
Não é bem assim.
"O
médico veterinário acaba se aproximando ainda mais do
convívio com as pessoas."
PetSite:
Como tem sido o trabalho do CRMV/RJ no combate ao charlatanismo?
Dr.
Borges: O médico veterinário tem um código de ética bem
moderno, bem avançado. O Conselho acata todas as denúncias que
são feitas contra profissionais, até porque esta é a nossa
atividade principal. Nós temos uma comissão de ética bem
atuante, ela faz uma verificação dos casos e ela dá pareceres
para à presidência, que leva à plenária e então decide pela
abertura ou não do processo ético. Já levamos à justiça 26
casos, e temos um advogado só para tratar da área criminal.

PetSite:
Como você vê o futuro da veterinária
aqui no Brasil?
Dr.
Borges: Eu sou um otimista por excelência. Quando entrei na
faculdade, em 1972, dizia-se que a nossa profissão era a
profissão do futuro. E hoje ainda é. Porque o campo e
atuação do médico veterinário tem uma abrangência muito
grande. O mercado é para quem quer trabalhar, para quem é
competente. A atividade de clínica é hoje está saturada, mas
eu não vejo assim. A veterinária tem um campo de abrangência
muito grande, e o próprio veterinário não conseguiu alcançar
em sua totalidade este campo enorme que se abre para ele.
Continua
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