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Eduardo Borges, presidente do CRMV/RJ

A cada ano, a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) concede um título em reconhecimento a prodissionais que se destacam em atividades relacionadas à agricultura e pecuária.

 

No dia 14 de janeiro, o Dr. Eduardo Batista Borges, presidente do Conselho de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV/RJ), foi nomeado Veterinário do Ano pela SNA. Atuando no CRMV/RJ desde 1993, onde foi secretário geral e atualmente é presidente, Dr. Eduardo Borges avalia a postura do médico veterinário no mercado de trabalho.

 

PetSite: O que representa ser eleito veterinário do ano pela Sociedade Nacional de Agricultura?

Dr. Borges: Até onde temos notícia, esta é a primeira vez que um médico veterinário recebe este título. Acreditamos que esta distinção tenha sido dada pelo trabalho que a diretoria do CRMV/RJ desenvolve na sua principal atividade, que é a fiscalização do exercício profissional do médico veterinário e do zootecnista. Este título veio num momento em que o Conselho está consolidando cada vez mais as suas atitudes e seus posicionamentos em prol de uma sociedade melhor.

 

PetSite: Como você vê a posição do médico veterinário na sociedade?

Dr. Borges: O perfil do médico veterinário, até vinte anos atrás, era de um veterinário do interior. Buscava-se naquela época o profissional voltado para atuar nas fazendas. De dez anos para cá, o perfil mudou. Passou a ser mais urbano, as atividades voltaram-se mais para a clínica de pequenos animais e de animais selvagens. Isso também fez com que surgisse um maior número de mulheres na profissão. Hoje elas aparecem mais em cargos de direção, proprietárias de clínicas veterinárias etc. É claro que isso aconteceu nas outras profissões, mas na medicina veterinária isso fez com que o perfil do profissional mudasse também.

O profissional médico veterinário hoje busca participar mais de vários segmentos na sociedade, até mesmo em cargos políticos. A participação do profissional tem sido mais forte, e com isso vai se mostrando que o Conselho não pode ser um órgão fechado, que ele tem de se abrir, e assim se desmistifica uma série de situações como "Os conselhos e as entidades só servem para cobrar do profissional, não oferecem nada." E hoje acontece justamente o contrário: nós oferecemos um programa de educação continuada, um jornal informativo de nível, temos uma comunicação forte junto aos profissionais, trabalhamos com marketing profissional. Os conselhos de classe sempre foram vistos como órgãos cartoriais, fechados. Esta foi uma diferenciação que nós, do CRMV/RJ, fizemos questão de buscar, com um órgão mais aberto, participativo, voltado sempre para prestar esclarecimentos sobre as atividades profissionais, mostrando para que nós servimos e o que podemos fazer para fazer uma sociedade melhor.

PetSite: Você acha que esta mudança no perfil profissional veio aproximar mais o médico veterinário da família?

Dr. Borges: Não acho que a virada do profissional rural para o meio urbano tenha mudado o profissional no sentido da família. Acho que isso é uma própria característica do meio urbano. Os animais de estimação crescem cada vez mais no meio das populações das grandes capitais, onde as habitações são edifícios muitas vezes populosos. Assim, o nível de exigência para se criar esses animais torna-se maior, e o médico veterinário acaba se aproximando ainda mais do convívio com as pessoas. Mas elas ainda não se conscientizaram para o nível de coisas que tem de ser observado. Por exemplo, você viu aí o problema da lei do Pit Bull, em que nos tivemos de intervir, porque as pessoas são desinformadas e esta desinformação causa prejuízos a criadores de outras raças porque o animal de companhia hoje, a cada dia que passa, cresce muito mais. Então esta aproximação acontece porque fazemos parte de um sistema de sociedade em que as pessoas ficam cada vez mais sozinhas, isoladas e buscam no animal de estimação o seu companheiro.

 

PetSite: O que você acha da qualidade do profissional que está entrando no mercado hoje?

Dr. Borges: O Conselho tem o seguinte posicionamento: hoje temos escolas demais e qualidade de menos. Mas não podemos confirmar que o ensino do terceiro grau hoje está fraco em detrimento ao que era no passado. Nosso posicionamento é pelo ensino de qualidade. O Conselho tem uma preocupação: exercer a fiscalização do ensino da veterinária. Criamos uma comissão de ensino que visa visitar as escolas e, através de questionários e visitas técnicas, levantar subsídios para a comissão de ensino do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) para que se tomem posições a nível nacional em relação a isso. Sabemos que o número de faculdades é excessivo, porque nunca se faz um levantamento da possibilidade de emprego para ele. Você oferece vagas e não diz ao estudante que o mercado de trabalho é seletivo, está recessivo, é altamente competitivo. Ele só vê pelo lado de que ele vai ser o "médico dos cachorrinhos", ou dos gatos, que isso vai ser uma coisa boa e que o veterinário ganha muito dinheiro. Não é bem assim.

 

 

"O médico veterinário acaba se aproximando ainda mais do convívio com as pessoas."

 

 

PetSite: Como tem sido o trabalho do CRMV/RJ no combate ao charlatanismo?

Dr. Borges: O médico veterinário tem um código de ética bem moderno, bem avançado. O Conselho acata todas as denúncias que são feitas contra profissionais, até porque esta é a nossa atividade principal. Nós temos uma comissão de ética bem atuante, ela faz uma verificação dos casos e ela dá pareceres para à presidência, que leva à plenária e então decide pela abertura ou não do processo ético. Já levamos à justiça 26 casos, e temos um advogado só para tratar da área criminal.

 

 

 

 

 

 

PetSite: Como você vê o futuro da veterinária aqui no Brasil?

Dr. Borges: Eu sou um otimista por excelência. Quando entrei na faculdade, em 1972, dizia-se que a nossa profissão era a profissão do futuro. E hoje ainda é. Porque o campo e atuação do médico veterinário tem uma abrangência muito grande. O mercado é para quem quer trabalhar, para quem é competente. A atividade de clínica é hoje está saturada, mas eu não vejo assim. A veterinária tem um campo de abrangência muito grande, e o próprio veterinário não conseguiu alcançar em sua totalidade este campo enorme que se abre para ele.

 

 

 

Continua

 

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