|
|
|
 |
|
|
|
|
|

|
Havia
na Birmânia, sobre a vertente dos montes de Lugh,
o templo de Lao-Tsun. Nele, um venerável sarcedote chamado
Mun-Há mantinha-se em permanente adoração ante a estátua
de Tsun-Kyanksé, a deusa de olhos azuis, que |
|
presidia a transmutação das almas. Toda noite, enquanto
Mun-Há orava permanecia
a seu lado um gato sagrado, chamado Sinh, chefe dos cem gatos
sagrados do templo. Todos tinham o corpo branco, mas seu
rosto, suas patas e sua cauda, marcados pelas impurezas do
solo, eram da cor da terra. Uma noite, o templo de Lao-Tsun
foi invadido por siameses, com a intenção de atacar e
pilhar, e tiraram a vida de Mun-Há.
|
 |
|
Foi
então que Sinh, o gato sagrado, pulou sobre a cabeça de seu
mestre morto, colocando-se frente à deusa, a quem ele
suplicou um olhar de seu olhos de ouro. Tsun-Kianksé não
pôde permanecer insensível a este apelo: emocionada com a
coragem de Sinh, ela realizou um milagre. O pêlo branco do
gato foi instantaneamente transmutado em ouro, enquanto que
seus olhos tornaram-se iguais às duas puras safiras que
enfeitavam o rosto da deusa. De seus dedos, que tocaram a
cabeça do santo homem morto, sumiu a cor impura de terra,
dando lugar ao branco mais puro. |
 |
|
|
Assim
transformado, Sinh, com um olhar eletrizou os sacerdotes
sobreviventes, deu-lhes força e coragem para fazerem os malditos
siameses fugirem e para fechar as portas de bronze do templo, que
foi assim salvo da profanação e da pilhagem. Sinh, inconsolável
com a morte de seu mestre, recusava comida e bebida. Sete dias
depois, morreu, levando a alma de seu mestre para outros céus.
Os sacerdotes
sobreviventes se reuniram para decidir sobre a sucessão do
venerável Kittah Mun-Há. Durante essa reunião, ouviu-se um
barulho. Os cem gatos do templo, que haviam sofrido a mesma
transformação que Sinh, se aproximaram, em suas patas enluvadas de
branco, e se puseram em círculo em torno de Ligoa, o monge mais
jovem, e nele fixaram seus olhos azul safira, manifestando assim o
desejo da deusa.
Colaboração:
Antônio Pereira, criador do Gatil Bourg-en-Bresse
|
|
|
|
 |
|
 |
|
|